Todos os movimentos
religiosos convivem com os conflitos entre o que devemos ser e o que
ainda não conseguimos. Na esfera das relações interpessoais,
vivenciam o choque das cobranças entre os membros sobre o que se
prega ou se estuda, e o que, efetivamente se consegue viver. No
âmbito individual, núcleos de remorso aparecem, refletindo o
desgosto íntimo das pessoas para com as quedas que se repetem. Elas
são vistas, apenas, como quedas e não como lições, avaliações e
aprendizado.
Essa situação perpetua
a dificuldade que os agrupamentos religiosos terminam por apresentar
no tocante a se verem como irmãos. Na dimensão da cristandade, a
frase lapidar de Jesus: “Conhecereis meus discípulos por muito se
amarem”, encontra obstáculo para ser vivenciada. Muitos tombam num
quadro depressivo, outros se afastam e se isolam, caindo na vala do
desânimo, do desalento.
Quando a comunidade
espiritualista de todas as vertentes se ampararem no entendimento
mais profundo, na solidariedade mais aguda, teremos a superação dos
entraves que se colocam para as conquistas que todos almejamos
alcançar. Tem sido mais fácil a acusação de hipocrisia para com
os que erram do que a aplicação do serviço de amparo e
reerguimento que nos cabe a todos, perante as fragilidades que
apresentamos.
Um coração querido me
disse, certa feita, em plena desilusão com o segmento religioso a
que se vinculava, que já pensava se não seria melhor ele tentar
viver sozinho o esforço de iluminação, procurando servir ao
próximo, sem estar submetido às incompreensões dos que conviviam
com ele socialmente. Estava desencantado. Desejava continuar a servir
ao Senhor sem vínculos com qualquer grupo.
Este estado de espírito
é mais comum do que pensamos. Claro que isso não invalida o
trabalho dos grupos religiosos de qualquer vertente, mas coloco a
situação como ponto de reflexão a fim de repensarmos como temos
convivido com as dificuldades inerentes à nossa condição humana. E
nem acho que isso deva servir de acomodação para que não venhamos
a justificar um possível pouco esforço para a superação das
dificuldades que trazemos. Equilíbrio em tudo.
Se não fazemos ainda
integralmente o que dizemos ou o que acreditamos, mantenhamos a
perseverança para que venhamos, em breve, estar de acordo a
consciência para com a fé. E aos que observam a dificuldade do
irmão de jornada, a tarefa que cabe é a do amparo na oração, o
socorro da conversa amiga e íntima, o olhar de indulgência e a
disposição de auxiliar na correção de rumos. Afinal, quem de nós
não necessita de tudo isso na própria vida? Qual de nós não
precisou, precisa e, possivelmente não irá precisar da tolerância
dos outros, em pleno caminho de dificuldades?
Atire a primeira pedra o
que estiver sem pecados. A humanidade tem muito o que pensar sobre
isso.
Extraído do blog do estimado irmão Frederico Menezes (fredericomenezes.blogspot.com.br).

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