O trabalho é lei da
vida.
Em a natureza tudo
trabalha...
Trabalham os vermes na
intimidade da terra, tornando-a fofa e produzindo o húmus nutriente
para alimentar as plantas.
Trabalham os pássaros,
na construção dos próprios ninhos e na disseminação do pólen das flores.
Trabalham as flores,
doando seu perfume ao ar e permitindo o nascimento dos frutos.
Trabalham os insetos,
polinizando as flores e desempenhando a parte que lhes cabe na
estrutura do ecossistema.
Trabalham também os
rios, fertilizando o solo e dessedentando homens e animais.
Trabalham as nuvens,
fornecendo a chuva que rega as plantas e purifica a atmosfera.
Trabalham as árvores,
abrindo seus galhos quais braços fraternos, acolhendo os ninhos e
fazendo sombra na caminhada dos homens.
Trabalha igualmente o
Sol, estrela incansável que jamais deixa de estender seus raios
quentes, espancando as trevas e favorecendo a vida.
Trabalha a Lua,
controlando as marés e deslumbrando os olhares apaixonados dos
namorados, que sonham um dia poder oferecê-la a alguém em nome do
amor.
Trabalham os oceanos,
abrigando na intimidade várias formas de vida e transportando, em
suas ondas, as embarcações, permitindo a ligação entre os
Continentes.
Trabalha também o vento,
acariciando com igual doçura os carvalhos gigantes e as pequeninas
hastes da relva.
Tudo em a natureza
trabalha...
E trabalham também os
homens...
Quem aceitaria, de boa
vontade, ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em
uníssono?
Mas todo trabalho é
vazio, exceto quando há amor...
É pelo trabalho que nos
unimos a nós mesmos, unindo-nos uns aos outros e a Deus.
E o que é trabalhar com
amor?
É tecer o tecido com
fios desfiados do nosso próprio coração, como se nosso bem-amado
fosse usar esse tecido.
É construir uma casa com
afeição, como se nosso bem-amado fosse habitar essa casa.
É semear as sementes com
ternura e recolher a colheita com alegria, como se nosso bem-amado
fosse comer os frutos.
É por em todas as coisas
que fazemos um sopro da nossa alma...
Quando trabalhamos com
amor, somos como uma flauta através da qual o murmúrio das horas se
transforma em suave melodia, espalhando notas de alegria no ar,
contagiando tudo o que nos rodeiam.
***
A câmara fotográfica
nos revela por fora, mas o trabalho nos retrata por dentro.
Em tudo aquilo que
façamos, na atividade que o Senhor nos haja oferecido, estamos
colocando nosso retrato, nossa marca registrada.
E quando o trabalhador
converte o trabalho em alegria, o trabalho se transforma na alegria
do trabalhador.
Pensemos nisso!
Do Livro O Profeta, de Gibran Kalil Gibran, cap. O trabalho e Sinal Verde, caps. 17 e 18

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